Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Rede de apoio: quem substitui “o outro progenitor” no dia a dia

Talvez algumas pessoas pensem neste pequeno/grande detalhe mas, a verdade é que nunca ninguém pergunta: quando decides ser mãe sozinha, quem faz o turno que seria do outro progenitor?

Não é uma pergunta sobre falta. É uma pergunta prática. Porque a resposta muda tudo – desde como organizas a tua semana até como te sentes às 22h de uma terça-feira em que correu tudo mal.

O que o “outro progenitor” faz, na prática

Quando pensamos nisto, pensamos logo em dinheiro ou em presença simbólica. Mas o que um segundo progenitor normalmente faz, no dia a dia, é muito mais concreto:

  • Ir buscar a criança quando tu estás doente.
  • Ser o segundo par de olhos numa decisão difícil.
  • Atender o telefone às 3h da manhã, sem perguntas.
  • Dar-te uma noite livre, sem teres de planear isso com um mês de antecedência.

É isto que falta quando decides sozinha. E é isto – não um substituto único – que precisas de encontrar.

Quem entra nesse lugar

Não é uma pessoa. É uma rede. E a rede é diferente para cada uma de nós:

Família. Avós, irmãos, tios – quando existem e quando estão disponíveis, são muitas vezes a primeira linha.

Amigas próximas. Não substituem a família, mas muitas vezes estão mais perto, fisicamente e emocionalmente.

Outras mães solo. Esta é a rede que ninguém te ensina a construir, mas que costuma ser a mais eficaz – porque quem já passou por isto entende sem precisares de explicar.

Vizinhança. Subestimada. Um vizinho que pode ficar 20 minutos com o teu filho enquanto vais à farmácia vale mais do que parece.

Profissionais. Amas, ATL, babysitters de confiança. Não é “falta de rede” pagar por apoio – é uma peça legítima do puzzle.

Substituir vs. redistribuir

Aqui está a mudança de perspetiva que fez mais diferença para mim: não estás a tentar encontrar um substituto para uma pessoa. Estás a redistribuir, por várias pessoas, aquilo que antes seria a responsabilidade de uma só.

Isto tira peso de cima de cada relação individual. A tua mãe não precisa de ser tudo. A tua amiga não precisa de estar sempre disponível. Cada pessoa da tua rede pode dar um pouco, sem ninguém ficar sobrecarregado – incluindo tu.

Uma nota sobre apoios e direitos

Esta rede informal é essencial, mas não deveria ser a única rede que existe. A discussão sobre licença parental dividida entre progenitores – e sobre o que acontece quando só há um – tem estado em cima da mesa em Portugal, e a petição Colo a Solo é parte desse esforço para tornar os apoios do Estado mais justos para famílias monoparentais. Vale a pena estar atenta e informada.

Perguntas para ti

Antes de fechar este artigo, fica com estas três perguntas:

  1. Quem, hoje, já faz parte da tua rede – mesmo que nunca o tenhas nomeado assim?
  2. Onde é que ainda há um vazio que precisas de preencher?
  3. Há alguém que podias convidar para essa rede, mas ainda não convidaste?

Construir uma rede de apoio não acontece de um dia para o outro. Mas começa sempre com uma pergunta destas.


Se estás a pensar em avançar sozinha ou já avançaste e queres um espaço para pensar estas questões com mais profundidade, tenho uma masterclass gratuita a 18 de agosto – “Maternidade Independente: o Primeiro Passo”. Inscreve-te aqui

Publicado a 31 de Julho de 2026

Ines Fontoura

Ines Fontoura

Postagens relacionadas

Copyright © 2025 Maternidade Independente. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Hera Studio