Sempre acreditei que a educação para a diversidade não começa só na escola. Começa muito antes — em casa, nas conversas do dia a dia, nas perguntas inesperadas e, muitas vezes, nos livros que escolhemos ler com os nossos filhos.
Tenho muitos livros. Fui comprando ao longo dos anos, alguns ainda antes do Luca nascer, outros porque me foram recomendados, outros porque simplesmente me tocaram. E, sem grande planeamento, percebi que os livros se tornaram uma das ferramentas mais importantes para falar sobre diferenças, emoções, famílias e mundo.
Porque a diversidade não se explica — vive-se, normaliza-se, lê-se.
Educar para a diversidade é dar linguagem às crianças
As crianças reparam em tudo. No que é diferente, no que foge ao padrão, no que não se encaixa. O que muitas vezes não têm é linguagem para compreender essas diferenças.
Os livros ajudam exatamente nisso:
ajudam a nomear emoções, a normalizar realidades diferentes, a desenvolver empatia. Mostram que existem várias formas de ser família, vários tipos de corpos, várias maneiras de sentir e de viver.
Quando uma criança cresce a ver essa diversidade representada, cresce com menos estranheza e mais curiosidade. E isso é uma base muito mais saudável do que o silêncio ou a explicação apressada quando surge uma pergunta difícil.
Ler em conjunto também é um ato educativo
Há uma coisa que os livros fazem particularmente bem: criam um espaço seguro. Não é uma conversa direta, não é uma lição. É uma história. E é dentro dessa história que muitas crianças se sentem mais à vontade para perguntar, comentar ou simplesmente ouvir.
Ler em conjunto permite respeitar o tempo da criança. Algumas perguntas surgem logo, outras só dias depois. Algumas histórias ficam, outras passam. Tudo faz parte.
Enquanto mãe — e enquanto mãe independente — vejo os livros como aliados. Não para “ensinar” no sentido rígido da palavra, mas para abrir possibilidades. Para mostrar que o mundo é diverso e que isso não é uma ameaça, é uma riqueza.
Porque vou partilhar sugestões de livros, filmes e conteúdos culturais
Ao longo do tempo, fui percebendo que muitas mães (e pais) procuram referências. Não receitas, não listas perfeitas — apenas pistas. Histórias que funcionaram noutras casas, livros que ajudaram a abrir conversas, filmes que ficaram.
Por isso, de vez em quando, vou partilhar neste espaço sugestões de livros, filmes e outros conteúdos culturais que vou lendo e vendo com o Luca. Não como especialista, não como crítica literária, mas como mãe que acredita que a educação para a diversidade se constrói também nestes pequenos gestos.
Cada família fará o seu caminho. Estes são apenas alguns dos nossos.
Educar para a diversidade não exige discursos complexos. Muitas vezes começa com um livro aberto no colo, uma história partilhada e a disponibilidade para escutar.
Alguns livros que temos lido cá em casa

📘 Sendo um sonho acontece
Este é especial cá em casa. Fala de desejo, de caminhos diferentes e da ideia de que as famílias também se constroem de formas diversas. Um livro que cresce com a criança — e com quem lê.
📗 Álbum de Famílias
Gosto deste livro porque mostra, de forma simples e muito visual, que não existe um único modelo de família. Há famílias grandes, pequenas, diferentes — e todas cabem numa história contada com naturalidade e sem julgamentos.
📕 Tengo una mamá y punto
Este é o meu favorito! Um livro direto e sem rodeios, que normaliza a maternidade a solo com leveza e humor. Mostra que, para uma criança, o essencial não é a configuração da família, mas o amor e a segurança que encontra nela.
